Duas versões: Bacherolette

Faz tempo que sou fã do trabalho da Björk e sempre achei, no mínimo, pitoresco o seu visual, timbre de voz e arranjos (sem contar o inglês quase incompreensível).
O seu primeiro álbum (Debut, 1993) é repleto de pérolas e as versões do álbum ao vivo dão uma roupagem tão nova para elas que soam quase inéditas.

A música deste post é do seu terceiro álbum, Homogenic de 1997, mas a versão abaixo é de um de seus álbuns ao vivo:



Badi Assad é outra que chama atenção pelo uso que consegue fazer da própria voz e pelos arranjos sofisticados (mesmo teno como base o violão).
Essa versão foi gravada no seu álbum Verde, de 2004:



(eu gosto desse ar grandiloqüente que vai crescendo e tomando conta do ambiente nas duas versões)

Uma das coisas mais femininas que conheci desde Amelie Poulain e Clarice Lispector.

PS: a respeito dessa última, a entrevista linkada acima foi data antes de sua morte, mas sob a condição de que só fosse publicada após sua morte.

fim de festa

Quando acordei, ela dormia ao meu lado e de costas pra mim.
Só uma parte da sua cintura coberta pelo lençol, o resto nua. Dava pra ver seu cabelo preto, liso e longo, sua tatuagem feita recentemente, seu quadril bem desenhado, as curvas dos seios e das pernas, os pés pequenos e o pescoço ainda com algumas marcas. Só não dava pra ver o rosto.

Da noite anterior eu me lembrava de tudo.
A silhueta do tronco se movendo no ritmo da música e contra a luz do meu monitor, a cintura gostosa de apertar, a textura da tatuagem nos dedos da minha mão direita, a sensação do cabelo na minha mão esquerda, a maciez dos lábios, o seu sabor e o timbre da voz dizendo coisas bem baixinho. Só não me lembrava do rosto.

Levantei quieto, não abri janelas e portas e nem acendi luzes.
Durante o banho, com água bem fria, foi recompondo toda a noite anterior. Mas não consegui me lembrar do rosto. Criei um e coloquei naquele corpo para ver se fazia sentido. A pele com certeza era branca, os olhos não deveriam ser claros e nem a boca carnuda. Não fez sentido algum.

Sai do banho ainda procurando pelo rosto e ela ainda dormia.
Tomei um gole de água gelada, zanzei pelo quarto e olhei pra ela mais algumas vezes. Nada do rosto. Deitei bem devagar e me aconcheguei na cama ainda quente. Puxei um pouco do lençol pra mim, fechei os olhos e, na falta de uma solução melhor, dormi.

Duas Versões: Up from the skies

Caetano Veloso e Gilberto Gil, após o AI-5, se exilaram na Inglaterra e trouxeram de lá muita influência para as músicas que fizeram aqui após o retorno. Isso fica claríssimo nos álbuns de retorno de ambos: Transa, no caso do Caetano (no qual boa parte das letras estão em inglês e o levada tem muito da instrospecção do rock progressivo) e Expresso 2222, no caso do Gilberto Gil (no qual, em várias músicas, a guitarra lembra muito o jeito hendrix de tocar).

No caso do Gil, essa influência fica ainda mais clara no álbum Gilberto Gil ao vivo (1974), no qual ele faz covers de diversas canções que costumava tocar em bares enquanto esteve na Inglaterra.
Eis uma delas:



A versão original dessa música, Up from the skies, foi gravada em 1967 por Jimi Hendrix no seu segundo álbum, Axis: Bold as Love.



O lançamento desse álbum foi ofuscado por outros álbuns memoráveis lançados nesse mesmo ano (mais aqui), como Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles.
E já que toquei nesse álbum, tanto Hendrix quanto Gilberto Gil fizeram regravações da faixa homônima (outras versões aqui), e a do Gil foi registrada no mesmo álbum da música tema deste post. Ei-la:



Se alguém tiver alguma gravação boa da versão do Jimi Hendrix, por favor, me mostre onde encontrá-la.

Novo visual

Em comemoração aos 50.000 visitantes nesses mais ou menos 2,5 anos de vida, eis o novo visual do Billy Shears recomenda!

O layout foi construído com base no template que eu estava usando anteiormente (ICE, do Templates Novo Blogger), as imagens criadas no GIMP (um software similar ao Photoshop mas livre, gratuito e roda em Linux) e os arquivos estão armazenados no Dropbox (um serviço de sincronização de arquivos on-line que funciona em Linux e Windows).
Para disponibilizar a maioria das músicas dos posts, continuo usando o goear, o contador é do shinystat e o desenho nervoso do Calvin e Haroldo, como nunca deixou de ser, é do Rodolfo.

Espero que tenham gostado do novo visual :)