
Descobri que a mão dela
é bem menor do que a minha.
E, mais importante,
descobri que tudo que eu queria dizer
também a fez transpirar.
shining
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rótulos: pessoal
Computadores do futuro, no passado
Isaac Asimov foi um cientista e escritor de ficção científica russo, mas criado e educado nos Estados Unidos. Seus primeiros livros foram publicados na década de 40.
São dele os textos que deram origem aos filmes Homem Bicentenário (muito melhor que o texto original) e Eu, Robô (muito pior que o texto original).
As marcas de seu trabalho são a valorização de diálogos fortemente regidos pela lógica entre cientistas, a elevação das possibilidades científicas contemporâneas a ele a extremos quase ofensivos a não-cientistas (como a psicohistória) e a quebra com o "paradigma do franskeinstein" nesse gênero.
Nas palavras do próprio autor:
Robôs eram criados e destruíam seu criador, robôs eram criados e destruíam seu criador, robôs eram criados e destruíam seu criador...
Na década de trinta, me tornei leitor de ficção científica e rapidamente me cansei daquela monótona história mil vezes repetida. Como uma pessoa interessada em ciência, ressentia-me daquela interpretação puramente faustiana da ciência.
O conhecimento contém seus perigos, sim, mas a solução será recuar diante dele? Estaremos dispostos a voltar ao macaco e renunciar à própria essência da humanidade? Ou o saber deverá ser usado como barreira contra o perigo que ele próprio acarreta?
Em outras palavras: Fausto deve enfrentar Mefistófeles, mas não precisa sair derrotado!
As facas são fabricadas com cabos a fim de serem seguras sem perigo, as escadas possuem corrimãos, a fiação elétrica é isolada, as panelas de pressão têm válvulas — em cada artefato procura-se reduzir ao mínimo o perigo. Às vezes, a segurança alcançada é insuficiente, por causa de limitações impostas pela natureza do universo ou da mente humana. Contudo, o esforço está sempre presente.
Consideremos o robô, então, como um simples artefato, semelhante a qualquer outro. Como máquina será, com certeza, desenhado com vistas ao máximo de segurança. Se os robôs estão aperfeiçoados a ponto de imitar os processos mentais do ser humano, a natureza desses processos será, é claro, orientada pelos engenheiros humanos, que lhes acrescentarão dispositivos de segurança. Esta talvez não seja perfeita (o que é perfeito?), mas será tão completa quanto humanamente possível.
Introdução do livro Os Novos Robôs
São dele as famosas 3 leis da robótica, que estariam gravadas no cérebro de todo robô como axiomas que regem o seu comportamento.
1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.
Outro ponto que sempre me chamou a atenção no trabalho de Asimov é que apesar de ele ter ficcionado que robôs seriam objetos comuns nas vidas das pessoas não muito depois do ano 2.000, ele não passou nem perto de conceber que existiriam computadores pessoais.
Na sua obra, computadores são itens caríssimos e que existem em número reduzido para fins muito específicos.
Sobre isso, vale a pena mencionar a imagem abaixo:

A legenda diz:
Scientists from the RAND corporation have created this model to illustrate how a "Home Computer" could look like in the year 2004. However, the needed technology will not be economically feasible for the average home. Also the scientists readily admit that the computer will require not yet invented technology to actually work, but 50 years from now scientific progress is expected to solve these problems. With teletype interface and the FORTRAN language, the computer will be easy to use.
fonte: http://urbanlegends.about.com/library/n_rand_home_computer.htm
Pois é, essa era a imagem que os cientistas de 1954 tinham do que viria a ser um computador pessoal por volta do ano 2000.
Curioso, não?!
É fácil encontrar os textos do Asimov por aí. Eu, particularmente, recomendo a trilogia Fundação e o livro de contos Eu, Robô. Leia a entrevista na íntegra aqui.
at 00:01 3 comments
rótulos: aleatoriadades, computação, literatura
Black ou White?
Michael Jackson morreu. E daí?!
O cara é responsável pelo álbum que mais vendeu na história da humanidade, comprou (e vendeu depois) os direitos sobre todas as músicas dos Beatles, virou branco tendo nascido negro e, pelo menos aparentemente, cantou com orgulho a sua cor (a primeira delas).
E a seguir, a versão que Caetano Veloso fez dessa música, emendando um quase-rap chamado "Americanos":
Atenção ao trecho:
Para os americanos branco é branco, preto é preto
(E a mulata não é a tal)
Bicha é bicha, macho é macho,
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro
E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se
Concedem-se, conquistam-se direitos
Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime
E dançamos com uma graça cujo segredo
Nem eu mesmo sei
Entre a delícia e a desgraça
Entre o monstruoso e o sublime
E parece que essa constatação nem é tão recente assim. O padre Antônio Vieira, no século XVII, já escreveu algo sobre esse "regime de indefinição" dos lados de cá do Equador:
Não há gentios no mundo que menos repugnem à doutrina da fé, e mais facilmente a aceitem e recebam, que os brasis; como dizemos logo, que foi pena da incredulidade de Santo Tomé o vir pregar a esta gente? Assim foi — e quando menos, assim pode ser — e não porque os brasis não creiam com muita facilidade, mas porque essa mesma facilidade com que crêem faz que o seu crer, em certo modo, seja como o não crer. Outros gentios são incrédulos até crer; os brasis, ainda depois de crer, são incrédulos. Em outros gentios a incredulidade é incredulidade, e a fé é fé; nos brasis a mesma fé ou é, ou parece incredulidade.
trecho do Sermão do Espírito Santo (aqui)
Invejo isso nos americanos.
PS: foi mal pelo passeio, mas foi a minha cabeça que juntou essas idéias ;) Leia a entrevista na íntegra aqui.
at 21:13 0 comments
rótulos: aleatoriadades, duas versões, literatura, música, notícia
Duas versões dupla: Chico Buarque
Como compositor, há que se reconhecer que Chico Buarque é um dos melhores poetas que o Brasil já conheceu. Nas palavras de Caetano: "um autêntico trovador".
Por outro lado, como intérprete ele nunca me agradou: apesar de uma certa sofisticação, seus arranjos e principalmente sua voz sempre soam tímidas demais aos meus ouvidos.
Justificarei minhas opiniões com dois exemplos do seu último álbum, Carioca, de 2006.
Primeiro, a canção Ode aos Ratos.
Adoro a letra! Chico compõe com adjetivos difíceis de usar como se fosse algo simples, e ainda por cima consegue um belíssimo efeito com os "r"s.
Mas a versão do Ney Matogrosso, no álbum Inclassificáveis, é muito mais vibrante:
Segundo, a canção Dura na Queda.
Reza a lenda que essa canção foi composta pra Elza Soares e, de fato, foi ela quem gravou primeiro. E mais uma vez Chico acerta com as palavras:
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar
Mas eis a interpretação dele:
E agora a da Elza Soares, no seu ótimo álbum Do Cóccix ao Pescoço:
Não só a voz, mas todo o arranjo é muito mais expressivo.
Como compositor Chico tem olhos azuis, mas como intérprete ele normalmente soa todo cinza...
De fato, se o mundo se divide entre os que gostam de Caetano e os que gostam de Chico (sem meios termos, por favor), eu fico do lado do Caetano. Porém, há que se reconhecer que esse tal de Chico mande bem de vez em quando! Leia a entrevista na íntegra aqui.
at 13:12 5 comments
rótulos: duas versões
presente

Terminou o almoço e foi pra rua comprar as últimas duas partes do presente: uma caxinha e o cartão.
Na volta pra casa, parou para tomar um café e ficou por vários minutos admirando a caixinha, medindo com olhos e dedos o espaço interno e arranjando mentalmente cada uma das outras partes do presente no espaço disponível.
Chegou em casa e foi direto pro quarto. Trancou a porta e nem se lembrou de colocar alguma música de fundo.
Foram mais alguns minutos finalizando a obra. Quando terminou, sorriu orgulhoso pra si mesmo. A ideia era perfeita e a execução, mesmo com as suas reconhecidas limitações artesanais, fazia jus à concepção.
O presente tinha uma porção dele e uma porção dela, nas medidas certas para que ela ficasse feliz pelas duas coisas sem que uma ofuscasse a outra. Com certeza guardaria com carinho e mostraria orgulhosa para todas as amigas.
Deitou na cama admirando o conjunto da obra por mais algum tempo: abria e fechava a caixinha, olhava atentamente por todos os ângulos, corregia os pequenos deslizes dos objetos dentro dela. Mas estava perfeita e não havia mais o que corrigir.
Sem dúvida, o trabalho estava terminado.
Finalmente levantou. Foi até o armário, abriu a gaveta e o guardou junto com o outro presente que fizera no ano passado.
Quando fechou a gaveta, respirou fundo e torceu para que aquele, não sendo mais o primeiro, seja pelo menos o último a ser guardado ali, sem data para sair...
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E para que não pensem que dia dos namorados é só fossa, deem uma lida no post do ano passado.
at 02:36 3 comments
rótulos: pessoal

